"Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo."

Fernando Pessoa



terça-feira, 24 de agosto de 2010

Raposas de tempos

O Tempo e suas Maçãs



Hoje, chorei...
Chorei lágrimas sobre rosto pálido,
Que desce maçã abaixo cortando-a,
E traz ao rosto aquela lâmina d’água,

Chorei, não por amor...
Nem por dor,
Pois humanos não choram,
Não há dor, nem por amor,

Chorei pelo futuro,
pelo presente, que já és passado..
Pensando num passado corpo,
Que se projeta para um futuro,
Futuro, belo, esperado.

Assim...

Me deparei com o tempo,
Que és sábio, que passas,

No plural.

E nossas maçãs,
Passas!
Passaram, agora,
Para o plural.

E agora se puderes,
Ande pela manhã, ao sol,
para que ilumine,
as brechas faltas de luz,
De tais maçãs passas.

E por onde andarás,
Tais velhas lembranças de maçãs,
Tempos de prazer e de glória,
Em abundância de maçãs novas...

                                ?           ?             ?



Fernando Dornelles

sábado, 7 de agosto de 2010

Ser Só – Só Ser


Ser Só – Só Ser



Ser se Só
Só Vida
Só passa
Tempos Só

Irá saber Só
Todos SOS

Tempos se Só
Se só Passa
Esperando não Se
sabe o Quê

Clock Clock...
Saberá Só
Esperou Só
Passou Só

Se Só Valeu
Saberá Só
Não Se Sabe O Quê.


                                               Fernando Dornelles Oliveira