O Tempo e suas Maçãs
Hoje, chorei...
Chorei lágrimas sobre rosto pálido,
Que desce maçã abaixo cortando-a,
E traz ao rosto aquela lâmina d’água,
Chorei, não por amor...
Nem por dor,
Pois humanos não choram,
Não há dor, nem por amor,
Chorei pelo futuro,
pelo presente, que já és passado..
Pensando num passado corpo,
Que se projeta para um futuro,
Futuro, belo, esperado.
Assim...
Me deparei com o tempo,
Que és sábio, que passas,
No plural.
E nossas maçãs,
Passas!
Passaram, agora,
Para o plural.
E agora se puderes,
Ande pela manhã, ao sol,
para que ilumine,
as brechas faltas de luz,
De tais maçãs passas.
E por onde andarás,
Tais velhas lembranças de maçãs,
Tempos de prazer e de glória,
Em abundância de maçãs novas...
? ? ?
Fernando Dornelles