Trinca Intrínseca e pé no chão
Tato, olfato e paladar,
há segredos na sensação,
assim como na sedução...
Um gato preto,
um ventilador de teto,
um pito, e um peito aberto,
burburinho e solidão,
e algumas idéias analiso quieto...
no encontro da contradição...
Céu e sol, só, dia e noite,
luas, nuvens e a verdade...
o dia passa,
lendo o mundo com pressa.
Sem pressa,
pois só nós sabemos o que nos resta.
Não é teatro nem peça,
apenas uma festa,
mas se ler, a si, é simples,
é como olhar pela fresta,
por isso enfrente, tente,
na minha frente...
veja, fale, ouça,
o pensamento é o primeiro momento,
as vezes com ele me contento,
em outras busco o toque,
de outras ficam as idéias com voz rouca.
Entretanto, tem noites que guardo para mim,
em outras a pele e carmim tomam conta de mim,
das outras tantas, o lembrar, me corta a garganta,
para contar histórias e segredos assim.
Pois a trinca, brinca, tranca palavras,
para depois tu veres minhas lavras.
Fernando Dornelles